Quando o assunto é fertilidade, o estilo de vida tem um peso enorme nos resultados. E uma das perguntas mais frequentes no consultório é: fumar atrapalha a fertilização in vitro (FIV)? A resposta é sim, e mais do que muita gente imagina.
Neste artigo, você vai entender como o cigarro afeta a fertilidade feminina e masculina, por que ele reduz as chances de sucesso da FIV e o que acontece no organismo de quem fuma durante o tratamento.
O impacto do cigarro na fertilidade
O cigarro contém mais de 7 mil substâncias químicas, entre elas a nicotina, o monóxido de carbono e o cádmio, que provocam danos diretos nas células reprodutivas.
Essas toxinas aceleram o envelhecimento dos ovários, prejudicam a qualidade dos óvulos e alteram a função das trompas e do útero.
Nos homens, o tabagismo está associado à redução na contagem e motilidade dos espermatozoides, além de aumentar o risco de fragmentação do DNA espermático, fator que pode comprometer a formação de embriões saudáveis.
Como o cigarro interfere na Fertilização in Vitro
Durante a FIV, cada etapa depende de um equilíbrio hormonal e celular muito delicado. O tabagismo interfere em várias delas:
- Menor resposta aos estímulos hormonais: mulheres fumantes costumam produzir menos óvulos durante a estimulação ovariana.
- Qualidade reduzida dos óvulos e embriões: há maior risco de alterações cromossômicas, o que impacta diretamente a taxa de fertilização.
- Endométrio menos receptivo: o cigarro diminui o fluxo sanguíneo uterino e pode dificultar a fixação do embrião.
- Taxa de sucesso menor: estudos mostram que mulheres fumantes têm até 50% menos chances de gestar em um ciclo de FIV em comparação com não fumantes.
- Maior risco de aborto espontâneo: devido às alterações hormonais e genéticas provocadas pelas substâncias tóxicas.
E o cigarro no homem?
Nos tratamentos de reprodução assistida, a fertilidade masculina é igualmente importante. Nos fumantes, o sêmen tende a apresentar:
- Redução no número de espermatozoides viáveis;
- Movimentação mais lenta;
- Alterações morfológicas (de formato);
- Maior fragmentação do DNA.
Esses fatores comprometem tanto a fertilização natural quanto os resultados da ICSI e da FIV, além de aumentarem o risco de falhas embrionárias.
Parar de fumar faz diferença?
Sim, e muita. Pesquisas indicam que parar de fumar por pelo menos 3 meses antes da FIV já melhora significativamente os parâmetros hormonais e a qualidade dos gametas. Esse período é o tempo médio de maturação dos óvulos e espermatozoides, ou seja, o organismo precisa de alguns ciclos para se “reajustar” após a interrupção do tabagismo.
Além disso, abandonar o cigarro aumenta as chances de implantação embrionária e reduz riscos na gestação, como parto prematuro e baixo peso do bebê.
Fumar reduz de forma significativa as chances de sucesso da fertilização in vitro, afetando tanto a qualidade dos óvulos quanto dos espermatozoides e a receptividade uterina. O ideal é que o casal interrompa o tabagismo antes de iniciar o tratamento, buscando apoio médico se necessário.
Na Donare, orientamos nossos pacientes de forma integral, cuidando não apenas da parte técnica do tratamento, mas também dos hábitos que influenciam diretamente na fertilidade e no sucesso reprodutivo.